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Quando a escola não tem água, não é só infraestrutura

Atualizado: 19 de mai.


Auditorias recentes escancaram uma realidade que não deveria mais existir: escolas públicas funcionando sem condições mínimas. Em fiscalização realizada pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) em 2025, quase metade das unidades vistoriadas não tinha água potável no momento da inspeção. Somam-se a isso banheiros precários, falhas elétricas e problemas de saneamento, um cenário que afeta diretamente milhares de estudantes.


Isso não é apenas um problema de infraestrutura. É uma falha na forma como as decisões públicas estão sendo executadas.


O mais contraditório é que existem recursos destinados justamente para resolver esse tipo de situação. O Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (PDAF) foi criado para dar autonomia às escolas, permitindo manutenção, pequenos reparos e melhorias imediatas no ambiente escolar. Em teoria, é a ferramenta certa para lidar com problemas urgentes.


Mas, na prática, essa autonomia não se concretiza. Há relatos de atrasos nos repasses, inclusive de recursos já aprovados e falhas na gestão, como denúncias de superfaturamento em compras básicas. O resultado é simples: escolas que poderiam resolver problemas imediatos continuam esperando.


Forma-se, então, um paradoxo difícil de justificar. De um lado, problemas evidentes. De outro, recursos previstos. No meio, uma engrenagem que não funciona.


E é aqui que o debate precisa mudar de lugar. O problema não é apenas quanto se gasta, mas como se decide gastar, e, principalmente, como se executa.


Quando o recurso não chega, chega tarde ou não se transforma em solução concreta, a política pública falha no ponto mais sensível: a vida real. É na sala de aula, no banheiro interditado, na falta de água, que essa falha aparece.


Por isso, discutir o PDAF não é discutir apenas um programa. É discutir governança. É discutir a capacidade do Estado de transformar previsão orçamentária em realidade. Quando a escola não tem o básico, não é só a infraestrutura que está em falta. É a própria decisão pública que não se completou.

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