O veto à mesa.
- Rúbia Freitas
- 30 de abr.
- 2 min de leitura

Sim. Você sabe, sim, como funciona a articulação e a disputa de força. Aí mesmo na sua família, aí mesmo entre seus amigos. Se tem duas pessoas, já acontece. Em grupo, então, é bem mais comum.
O debate para escolher sobre onde, quando, como e quanto custará a festa de aniversário dos filhos, ou um grupo de amigos decidindo onde vão passar o Réveillon — qual praia, qual Airbnb, roteiro de passeio e etc. Cada um vai usar seus argumentos para ter seu desejo atendido. Pressionando ali, cedendo aqui, mudando de ideia, chantageando ou fazendo um acordo: "esse ano eu escolho o aniversário, e você escolhe outra festividade". Viagem em grupo, acho que nem preciso dizer muito.
O Legislativo tem como essência a articulação e a disputa. Isso não é ilegal e nem imoral: é humano e é a materialidade da democracia. Executivo, Legislativo e Judiciário, os três grandes poderes que estruturam a nossa democracia, também estão sempre disputando, negociando, acordando, rompendo e enfrentando-se.
A indicação do presidente ao STF é uma função clássica, que sempre acontece. É como aquela comemoração de bodas de ouro dos seus avós: tudo bem tradicional, sem muita novidade, com tudo discutido e organizado com antecedência. Mas, desta vez, o que sempre seguiu o costume — o Senado aprovar a indicação do presidente — não deu certo. O nome foi vetado.
E não é um simples "não".
É um evento histórico, algo que não acontecia há mais de 130 anos. É toda uma articulação de forças e interesses no Senado para que a maioria pudesse barrar a escolha. Não é apenas a vontade de um grupinho; é uma disputa de força dizendo: "Opa! Pera lá! Não será como sempre foi".
O que eu quero te dizer é que, na política, tudo pode mudar a qualquer instante. Essa notícia, que parece estar bem distante de todo mundo, lá no Senado, influencia no cenário das eleições, influencia no preço das coisas do aniversário da sua filha, na sua possibilidade de viajar com os amigos, assim como na configuração do trabalho e na penalização de irregularidades no Brasil.
Tem, sim, muita similaridade com a sua vida cotidiana, mas são escolhas, ações e resultados que afetam todo o país. A política é um prato que se come frio, em uma realidade em que muita gente nem tem o que comer.



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